Na véspera do julgamento que decide o futuro da greve dos empregados da Caixa, a APACEF/RJ enviou nesta segunda-feira (28) um ofício ao Tribunal Superior do Trabalho pedindo que os ministros considerem a dimensão humana do conflito. No documento, a entidade sustenta que a Caixa não é um banco comum, mas o banco social do Brasil, e que a greve não nasce de privilégio, mas de sobrevivência: o novo modelo de custeio do Saúde Caixa, definido unilateralmente pelo banco, ameaça o pacto solidário que sustenta o plano de saúde dos economiários.
LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DO OFÍCIO DA APACEF/RJ
OF APACEF 012/26, 28 de setembro de 2026.
Aos
Excelentíssimos Senhores Ministros do Tribunal Superior do Trabalho – TST
Assunto: Dissídio coletivo de greve dos empregados da Caixa
Excelentíssimos Senhores Ministros
Nós, da APACEF – Associação dos Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, representados por nossa Presidente, Vera Lúcia Faria de Moraes, vimos respeitosamente à presença de Vossas Excelências, na véspera do julgamento da nossa greve, trazer à apreciação desta Egrégia Corte a dimensão humana e social do conflito.
I – NÃO SOMOS UM BANCO COMUM. SOMOS O BANCO SOCIAL DO BRASIL
O trabalho do economiário não se resume a uma atividade bancária. Somos o elo entre o Estado brasileiro e a população nos momentos mais significativos de sua vida cotidiana. Somos nós que estamos na ponta quando:
- Uma mãe saca o Bolsa Família para alimentar seus filhos;
- Um trabalhador demitido saca o FGTS e o seguro desemprego para sobreviver;
- Uma família assina o contrato do Minha Casa Minha Vida e realiza o sonho da casa própria;
- Um jovem da periferia acessa o FIES e entra na universidade;
- Milhões de brasileiros receberam o Auxílio Emergencial em plena pandemia, atendidos sob risco da própria vida, em agências lotadas.
A Caixa está presente em onde nenhum outro banco tem interesse de estar. Somos o banco de todos os brasileiros, e isso só existe por causa do trabalho de seus empregados. Enfraquecer o empregado é enfraquecer todas as políticas públicas do país.
II – O QUE ESTÁ EM JOGO: NOSSA SAÚDE E NOSSA VIDA – SAÚDE CAIXA PARA TODOS
Nossa greve não é por privilégio. É por sobrevivência.
A greve é legítima e o novo modelo de custeio do Saúde Caixa é uma questão central, se constituindo no principal ponto de discussão no decorrer da campanha, não podendo ser definida unilateralmente pela Caixa, sob o único enfoque de reduzir déficits.
Por essa razão, a tese que vier a ser adotada repercutirá em futuras discussões sobre o modelo de financiamento do plano de saúde.
A reivindicação dos empregados é clara: retomada do custeio de 70% pela Caixa e 30% pelos beneficiários; fim do teto de 6,5% da folha que limita a participação da Caixa; preservação do modelo solidário e do pacto intergeracional, sem cobrança por faixa etária; igualdade para os empregados admitidos após agosto de 2018; e a manutenção do Saúde Caixa no ACT, garantindo sua proteção no processo de negociação coletiva.
Diante do exposto, confiamos que este Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, guardião da justiça social e da dignidade da pessoa humana nas relações de trabalho, saberá reconhecer a legitimidade do nosso movimento e adotar as medidas necessárias para assegurar o direito de todos os economiários e, dessa forma, mantendo a Caixa forte, humana, pública e a serviço do Brasil e do povo brasileiro.
Esperamos e confiamos que se faça justiça.
Respeitosamente,
Vera Lúcia Faria de Moraes
Presidente da APACEF/RJ




Nós aposentados, pensionistas e da ativa estamos muito bem representados. Obrigada Dra Vera
Espero que seja feito um acordo consciente, pra que possamos, nós idosos, continuarmos nossos tratamentos médicos.
Dra Vera, agradecemos o empenho, força, sensibilidade, para enfrentar, discutir a situação a crise, o sufoco, que passa no plano de Saúde Caixa, com aumento e percentuais distorcidos. Avante APACEF RJ ( Dra Vera), vamos lutar.